Comoção pública. Catarse generalizada. Histeria coletiva.
Barack Obama levou a nação “obamista” ao delírio com seu discurso de aceitação, como se diz por lá.
Em um parque em Chicago, Illinois, ele pôs, uma vez mais, sua ótima retórica a serviço do marketing. Discursava fluentemente, como de costume, se bem que visivelmente emocionado, como não poderia deixar de ser. Após cada frase pronunciada, Obama fechava a idéia com seu slogan “yes, we can”, ao que o povo respondia em uníssono "”yes, we can!”, numa espécie de ritual canônico em que a massa repete as palavras finais do que discursa, ou as complementa com a frase que é cabida.
Passada a euforia, a vida começa, ainda que lentamente, a retomar seus passos.
As pessoas hoje acordaram e foram estapeadas pela realidade, pela dura constatação de que nada mudou. Wall Street continua abocanhando, vorazmente, montanhas de dinheiro, enquanto o povo vende o que tem para pagar dívidas. Para ficar com a questão do momento.
Fica a pergunta: as coisas vão, de fato, mudar?
Sem alarde, eu creio que não.
Mas torço para pagar a língua.
Naressi